Pergunta que toda dona de clínica já fez: "quanto eu cobro pelo Botox?" — e que quase todo mundo responde do jeito errado: olhando o preço da concorrente, somando o custo da toxina e colocando "uma margem boa" em cima.
O problema é que a margem que você acha que tem e a margem que existe são números diferentes. Às vezes, muito diferentes. Vamos fazer a conta completa com um caso real.
O caso real: R$ 799 que rendiam 5,5%
Numa clínica real da Grande São Paulo (onde o GlowIA roda todos os dias), o Botox 50U era vendido a R$ 799. Preço competitivo, procedimento carro-chefe, agenda cheia dele. Parecia ótimo.
Aí a conta completa entrou no sistema — não só a toxina, mas tudo que sai do valor antes de virar lucro:
| O que sai do R$ 799 | O que é |
|---|---|
| Insumos | Toxina + diluente + agulha/descartáveis |
| Comissão | O % da profissional que aplica |
| Imposto | Simples sobre o faturamento |
| Taxa do cartão | 0% no PIX… até 15% no 12x |
| Rateio do custo fixo | Aluguel, equipe, energia, sistema — divididos pela hora de atendimento |
Resultado: 13,5% de margem no PIX. E só 5,5% no cartão — onde a maioria das clientes paga. O mesmo procedimento, no mesmo dia, rendia quase 3x menos dependendo da forma de pagamento. Nenhuma planilha de "custo da toxina + margem" mostra isso.
E o caso irmão, ainda pior: um procedimento de entrada vendido a R$ 97 que parecia inofensivo dava R$ 64 de prejuízo por aplicação quando o custo da hora e o rateio entravam na conta. Pra fechar em 25% de margem, o preço ideal era R$ 271 — quase o triplo. A clínica vendia achando que era margem boa. Era prejuízo com fila de espera.
Os três custos que quase ninguém soma
1. O rateio do custo fixo. Sua clínica custa um valor por mês pra existir — aluguel, salários, energia, sistemas — mesmo se ninguém aparecer. Divida esse total pelas horas de atendimento reais do mês e você descobre seu custo por hora de cadeira (na clínica do caso: por volta de R$ 110/hora). Todo procedimento ocupa cadeira; todo procedimento precisa carregar sua fatia. Botox ocupa pouco tempo — sorte dele. Uma drenagem de 60 minutos a preço baixo, por outro lado, pode ser prejuízo disfarçado de agenda cheia.
2. A taxa da forma de pagamento. PIX ~0%, débito ~1,5%, crédito à vista ~3%, parcelado 2-6x ~8%, 7-12x até ~15%. Se a maior parte da sua base parcela e seu preço foi calculado pensando em PIX, sua margem real é a do parcelado — a menor. Precifique pro pior caso que você aceita, não pro melhor.
3. A comissão sobre o preço (não sobre o lucro). Comissão de 20-30% calculada sobre o valor cheio come uma fatia que cresce junto com qualquer desconto que você dá. Desconto de 10% no preço pode significar 30% a menos no seu lucro — a comissão e os custos não caem junto.
Então, quanto cobrar?
A regra de bolso honesta, em quatro passos:
- Some o custo direto: insumos + comissão + imposto + taxa média ponderada de cartão (do SEU mix real de pagamento).
- Some o rateio: (custo fixo mensal ÷ horas de atendimento) × tempo do procedimento.
- Escolha a margem-alvo — 25% é um piso saudável pra injetável; abaixo de 15%, você está trabalhando pro fornecedor e pra maquininha.
- Preço = custo total ÷ (1 − margem-alvo). Se o número der acima do mercado, o problema não é o preço: é custo, tempo de cadeira ou mix de pagamento — e cada um tem conserto próprio.
No caso do Botox de R$ 799, o conserto não foi "aumentar tudo": foi um ajuste de preço calculado pra proteger a margem em qualquer forma de pagamento — e a margem passou de 5,5% no cartão pra mais de 20% em todos os cenários. Sem susto pra cliente, sem perder volume. O que mudou foi a conta, não a coragem.
O jeito de fazer essa conta em 30 segundos
Dá pra montar essa planilha à mão — custo fixo, horas, mix de cartão, insumo por procedimento. Ou dá pra usar a conta pronta: o GlowIA faz exatamente isso pra clínica de estética — margem real por procedimento, nos 3 cenários de pagamento, com o rateio que ninguém soma. Na página inicial tem uma calculadora aberta, sem cadastro: coloca os números do seu Botox e vê em 30 segundos o que sobra de verdade.
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